Eu também estive na Bienal do Livro esses dias e gostei bastante (mesmo que o pão seja caro e a liberdade pequena). Encontrei algumas coisas bem legais também. Mas dentre tantas publicações, editoras e tal, a gente sempre se depara com coisas que nos deixam constrangidos. Será que existe hoje um espaço literário onde possamos estar a salvo de livros de auto-ajuda e coisas do tipo? Que surto é esse de livros que te ensinam tudo? É livro pra te ensinar a arrumar namorado; livro pra te ensinar a ganhar dinheiro; livro pra te ensinar a ser mais sociável; livro pra te ensinar a fazer sexo, enfim... para tudo o que você pensar alguém escreveu um livro dizendo como deve ser. Chego até à conclusão de que o povo brasileiro está na situação em que está porque não lê, pois se lesse encontraria a solução para os seus problemas. Realmente a falta de cultura de leitura é um problema de estado. Não sei porque existem tantas pessoas pobres no país. O que mais se vê são autores contando seus segredos de sucesso, como enriqueceram e tal, pois afinal já diria a rainha dos (QIs) baixinhos, "tudo o que eu quiser o cara lá de cima vai me dar". Será que o MEC deveria considerar a possibilidade de distribuir "O Segredo" como livro didático nas escolas públicas?
O que é pior, ler uma dessas porcarias ou ver o Big Brother? Desligue a televisão e vá ler um livro ou feche o livro e vá ver televisão? Que (des)vantagem Mary leva afinal?
Eu particularmente fico mais constrangida mesmo quando me deparo com livros escritos por mulheres, nos lembrando o quão sacaneadas nós somos, com títulos como "Pense como um homem e conquiste o seu" (as ilustrações de capa também não deixam por menos). Eu sei que eu sou a parcela mais intelectualmente sacaneada da sociedade, eu não preciso de livros que esfreguem isso na minha cara. E esses livros são escritos e publicados como se fossem mesmo algo muito surpreendente, que mudará nossas vidas. Algo para você abrir e ficar boquiaberto. O pior é que isso vende como água. Prova disso é o grande interesse das editoras em publicar cada vez mais esse lixo literário.
Por favor pessoas, vamos ser mais criteriosos nas nossas leituras! Eu sinto vergonha quando paro em frente a uma prateleira e me deparo com livros que querem me ensinar a arrumar namorado, pensar como homem (é sério), etc. Se é pra ler besteira que seja Paulo Coelho que pelo menos é imortal, pois nasceu a dez mil anos atrás (licença para piadinha infame).
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
E quando o brilho do amor chegar eu quero é mais brincar. Melhor é ser criança!
Outro dia ouvi (eu, foto ao lado) alguém dizendo que temos muito o que aprender com as crianças. Sempre acho estranho quando ouço alguém dizer isso porque afinal, o que somos todos nós se não crianças crescidas? Não me refiro aqui ao termo criança de maneira pejorativa absolutamente, e sim da maneira mais positiva possível. O que na verdade precisamos não é olhar para as crianças, é olhar para dentro de nós mesmos, e se encontrarmos algum resquício do que costumávamos ser, não deixarmos que ele volte a se perder.
Sabe, eu nunca consegui me adaptar totalmente à vida adulta. Eu não quero ser adulta, eu quero só ser Mary. E Mary é adulta, é criança, é adolescente e é até velha. Cada uma em seu momento. Mas ao olhar para mim, você apenas espera ver uma pessoa adaptada às expectativas de seu universo. Os adultos são assim.
Eu desfio meu sarcasmo por aqui, falo palavrão, e você acha que eu sou só isso. Nós, adultos, temos esse hábito. Olhamos um para o outro e achamos que nos conhecemos, mas ser criança é ser o que você quiser, na hora em que você quiser, e não se envergonhar nem um pouco disso e nem pedir permissão a ninguém. Você ainda deve se lembrar como era. Faça uma forcinha, volte a ser criança para ser um adulto melhor.
O fato é que você me olha e me julga um monte de coisas que você supõe, mas você não sabe e nem quer saber que você também está olhando para alguém que chora ouvindo “Cãozinho Xuxo”; que sempre gostou das jujubas verdes; e que todas as minhas bonecas e bichinhos de pelúcia possuem um nome; que eu faço poesia para os meus cachorros e meu abacateiro; que eu só tomo suco em um copo de requeijão escrito “suco Mary” com esmalte; que eu guardo (e ouço) os vinis dos Menudos; que eu tomo vitamina de banana no bar; que no meu quarto a cortina é de peixinho, feita pela minha mãe, porque eu queria morar no mar; que eu uso a camisola que foi da minha falecida avó (aliás estou com ela nesse momento); que eu queria ser uma das ajudantes de palco da Mara Maravilha ou a Amanda do Trem da Alegria porque eu as achava as meninas mais bonitas da TV; que eu chorei quando o Chaves foi embora da vila; que minha cachorra Mimosa uma vez fugiu de casa e foi lá na minha escola criando a maior confusão; que eu já interpretei o amor no teatrinho da escola; que eu fiz xixi nas calças na 2º série; que eu tinha a carteirinha do Clube do Bocão Royal, do Clube da Criança; enfim...
O que quero dizer é que ser adulta não me impede de ser criança. Ser uma pessoa mais experiente não me impede de ser inocente, e é justamente disso que eu sinto falta nas pessoas, a inocência infantil. Ao invés daquela coisa de querer sempre ser malandro, de querer sempre ser viril, de querer sempre ser sexy, sempre cult, sempre “normal”. Temos que nos lembrar do que era bom, do que era verdadeiro. Resgatar dentro de nós aquilo que esperamos aprender com as crianças que ainda não cresceram, pois está tudo lá, dentro do seu coração. É só deixar sair.
sábado, 5 de setembro de 2009
MARY RECOMIENDA: Monumento Inverso
Em 2001, dois dos meus melhores amigos, os MCs Ofusca e Ramon, fundaram o Monumento Inverso. O nome foi inspirado no pont de skate da Praça XV, onde eles costumavam dar rolé. A parceria deu muito certo na cena underground carioca e passou posteriormente a contar com o Dj Erik.
Eu sou suspeita pra falar, uma vez que sou família Monumento Inverso até o osso, mas posso afirmar que o Monumento é rap da melhor qualidade, o que pode ser conferido no EP que eles lançaram de maneira independente em 2007, "Subindo Ladeira", título homônimo à música que já é um clássico do Monumento e do hip-hop Lapa.
Eu sou suspeita pra falar, uma vez que sou família Monumento Inverso até o osso, mas posso afirmar que o Monumento é rap da melhor qualidade, o que pode ser conferido no EP que eles lançaram de maneira independente em 2007, "Subindo Ladeira", título homônimo à música que já é um clássico do Monumento e do hip-hop Lapa.
Para conferir o som dos caras:
Comunidade no Orkut:
"Então bagunça... ih!" Rsrsrs!
sábado, 29 de agosto de 2009
Afinal quem é brega no Brasil?
Tenho ouvido muitas coisas a respeito do compositor mais “papo reto” do Brasil: Belchior. Coisas positivas e coisas negativas. Até acho interessante a nova mania nacional de elaborar hipóteses para o sumiço de Belchior, embora eu acredite realmente que o Nietzsche brasileiro se cansou de toda essa mediocridade contemporânea e foi dar um rolé, “andar caminho errado pela simples alegria de ser”. Mas o que realmente me incomoda é quando alguém cai no lugar comum de dizer que Belchior é brega. Aí mexeu comigo!
Como podem reduzir a brega um cara que canta: “eu quero é que esse canto torto, feito faca corte a carne de vocês”? Qual foi a parte que eles não entenderam? Belchior é brega? O cara que compôs “Alucinação”, “Velha Roupa Colorida”, “Coração Selvagem”, “Comentário a respeito de John”, “Fotografia 3 x 4”, “Divina Comédia Humana”, “Mucuripe”, “Galos, Noites e Quintais”, “Como Nossos Pais”, e tantas outras canções fantásticas? Não, não! Brega é Fresno! (como diria meu amigo Orlando) Brega é a MTV querendo nos empurrar essas bandinhas e artistas sem conteúdo, brasileiros ou gringos, goela abaixo. Tentando transformar adolescentes brasileiros em paulistas e adolescentes paulistas em estadunidenses.
Para estimular a reflexão a respeito dessa discussão sobre o que é ou não brega, destaquei algumas coisas que eu considero verdadeiramente bregas, no pior sentido da palavra:
Querer adotar um modo de vida norte-americano em plena América do Sul; vestir crianças como personagens de “Malhação”; chamar ex- BBB de artista; querer ser playboy no terceiro mundo; ser racista em um país miscigenado; patricinhas tijucanas; esticar o cabelo para ir à praia; chamar fofoca sensacionalista de liberdade de expressão; dizer que vai a Nova York “se reciclar”; maconheiro de classe média que tem medinho de entrar na favela porque acha “mó bad trip”; pseudo-intelectuais; “cult bacaninhas” preconceituosos que chamam de brega tudo o que é popular; estudantes de engenharia dançando Funk em chopada; advogados que exigem serem chamados de doutor; chamar de doutor qualquer um que tenha dinheiro ou diploma; frequentar lugares de “gente bonita”; morar em Jacarepaguá e dizer que mora na Barra; a própria Barra da Tijuca, prima pobre de Miami, por si só é uma ode ao pensamento provinciano brasileiro; chamar nordestino de paraíba; neo-nazismo no século XXI; capa da Revista Sexy se auto intitular modelo e atriz; ir para o BBB pleitear contrato com a Playboy; falar em inglês coisas que podem perfeitamente ser ditas em português; chamar mulher de “cavala” ou “mulezinha”; emo de cabelo crespo que se mata a alisar o cabelo pra ficar com cara de inglês, mas só consegue ficar com cara de emo de cabelo crespo que se mata a alisar o cabelo pra ficar com cara de inglês; falta de consciência ecológica; silicone no peito do tamanho de uma bunda; balé de programa de auditório; mulheres fruta; madrinhas de bateria que só querem se promover e muitas vezes nem sabem sambar; mandar recados malcriados para pessoas que visitam seu Orkut; escrever frases clichês de liçãozinha de vida no MSN; chamar negro de moreno; mandar mendigo ir trabalhar; ser meritocrata no mundo subdesenvolvido; acompanhar vida de “celebridades”, falar gritando com as pessoas; etc, etc.
Enfim... eu poderia ficar aqui a vida toda que a lista não chegaria ao fim. Mas o que eu quero mesmo dizer é que não existe nada mais brega do que não se assumir do jeito que é, do que ficar querendo se distanciar de suas origens, do que ter complexo de inferioridade mal resolvido achando que há sempre um lugar que tem mais valor que o seu, do que ter medo de parecer brega, medo de mostrar suas vísceras.
Belchior sabe exatamente como fazer a veia do pescoço pulsar e, tudo o que foge disso para mim é de mau gosto.
Se ser brega é dançar forró na Feira de São Cristóvão ao invés de curtir uma “night” cheia de “gente bonita”, eu desejo vida longa ao brega e declaro: eu sou brega! E digo mais, nós somos muito mais geniais e talentosos quando não estamos tentando parecer geniais e talentosos, pois a sinceridade é a verdadeira elegância da vida. Como diria o grande mestre Belchior, “eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais. (...)amar e mudar as coisas me interessa mais.”
Como podem reduzir a brega um cara que canta: “eu quero é que esse canto torto, feito faca corte a carne de vocês”? Qual foi a parte que eles não entenderam? Belchior é brega? O cara que compôs “Alucinação”, “Velha Roupa Colorida”, “Coração Selvagem”, “Comentário a respeito de John”, “Fotografia 3 x 4”, “Divina Comédia Humana”, “Mucuripe”, “Galos, Noites e Quintais”, “Como Nossos Pais”, e tantas outras canções fantásticas? Não, não! Brega é Fresno! (como diria meu amigo Orlando) Brega é a MTV querendo nos empurrar essas bandinhas e artistas sem conteúdo, brasileiros ou gringos, goela abaixo. Tentando transformar adolescentes brasileiros em paulistas e adolescentes paulistas em estadunidenses.
Para estimular a reflexão a respeito dessa discussão sobre o que é ou não brega, destaquei algumas coisas que eu considero verdadeiramente bregas, no pior sentido da palavra:
Querer adotar um modo de vida norte-americano em plena América do Sul; vestir crianças como personagens de “Malhação”; chamar ex- BBB de artista; querer ser playboy no terceiro mundo; ser racista em um país miscigenado; patricinhas tijucanas; esticar o cabelo para ir à praia; chamar fofoca sensacionalista de liberdade de expressão; dizer que vai a Nova York “se reciclar”; maconheiro de classe média que tem medinho de entrar na favela porque acha “mó bad trip”; pseudo-intelectuais; “cult bacaninhas” preconceituosos que chamam de brega tudo o que é popular; estudantes de engenharia dançando Funk em chopada; advogados que exigem serem chamados de doutor; chamar de doutor qualquer um que tenha dinheiro ou diploma; frequentar lugares de “gente bonita”; morar em Jacarepaguá e dizer que mora na Barra; a própria Barra da Tijuca, prima pobre de Miami, por si só é uma ode ao pensamento provinciano brasileiro; chamar nordestino de paraíba; neo-nazismo no século XXI; capa da Revista Sexy se auto intitular modelo e atriz; ir para o BBB pleitear contrato com a Playboy; falar em inglês coisas que podem perfeitamente ser ditas em português; chamar mulher de “cavala” ou “mulezinha”; emo de cabelo crespo que se mata a alisar o cabelo pra ficar com cara de inglês, mas só consegue ficar com cara de emo de cabelo crespo que se mata a alisar o cabelo pra ficar com cara de inglês; falta de consciência ecológica; silicone no peito do tamanho de uma bunda; balé de programa de auditório; mulheres fruta; madrinhas de bateria que só querem se promover e muitas vezes nem sabem sambar; mandar recados malcriados para pessoas que visitam seu Orkut; escrever frases clichês de liçãozinha de vida no MSN; chamar negro de moreno; mandar mendigo ir trabalhar; ser meritocrata no mundo subdesenvolvido; acompanhar vida de “celebridades”, falar gritando com as pessoas; etc, etc.
Enfim... eu poderia ficar aqui a vida toda que a lista não chegaria ao fim. Mas o que eu quero mesmo dizer é que não existe nada mais brega do que não se assumir do jeito que é, do que ficar querendo se distanciar de suas origens, do que ter complexo de inferioridade mal resolvido achando que há sempre um lugar que tem mais valor que o seu, do que ter medo de parecer brega, medo de mostrar suas vísceras.
Belchior sabe exatamente como fazer a veia do pescoço pulsar e, tudo o que foge disso para mim é de mau gosto.
Se ser brega é dançar forró na Feira de São Cristóvão ao invés de curtir uma “night” cheia de “gente bonita”, eu desejo vida longa ao brega e declaro: eu sou brega! E digo mais, nós somos muito mais geniais e talentosos quando não estamos tentando parecer geniais e talentosos, pois a sinceridade é a verdadeira elegância da vida. Como diria o grande mestre Belchior, “eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais. (...)amar e mudar as coisas me interessa mais.”
sábado, 22 de agosto de 2009
MARY RECOMIENDA: Fernando S.

Este humilde e anárquico espaço esquecido nos confins da Web inaugura a série MARY RECOMIENDA com o trabalho do músico Fernando S.
Fernando S. é um pernambucano radicado no Rio de Janeiro, guitarrista da banda Bárbara e os Perversos, e acaba de concluir um álbum espetacular, "Aipim não é Macaxeira". Uma brincadeira que surgiu dessa conexão Rio - Recife, e que traz para contextos cariocas toda a musicalidade única de Recife. Eu tive o prazer de participar do disco em uma das faixas, "Vestido Azul". O disco conta com outras participações em outras faixas também. Vale a pena conferir o trabalho desse cara.
Para conferir: www.myspace.com/fernandojuniorz
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
O mistério do planeta
É impressionante a ligação que somos capazes de estabelecer com pessoas com quem estivemos poucas vezes, enquanto com algumas pessoas que conhecemos a vida toda não entramos na mesma sintonia. Eu tenho alguns amigos assim. Pessoas com quem estive fisicamente poucas vezes, ou até nenhuma, mas que me ganharam completamente e sempre me terão. Em qualquer época e qualquer lugar do mundo. Porque são feitas da mesma energia que eu. São pessoas para quem não preciso ficar falando o tempo todo como as coisas são, pois as coisas simplismente são como são e nós sabemos disso.
Hoje uma dessas pessoas queridas esteve por aqui neste humilde e anárquico espaço esquecido nos confins da web e compartilhou comigo das emoções contidas por aqui. Me mostrou uma de suas poesias, após ler o primeiro texto que postei aqui, onde ele homenageia as mulheres. Retribuindo a homenagem, estou postando aqui sua poesia. Aproveito para agradecer a todas as pessoas lindas que já cruzaram meu caminho por me doarem um pouquinho de sua energia e receberem um pouquinho da minha. Para mim, a vida é feita disso. Como cantaram os Novos Baianos:
"Vou mostrando como sou / e vou sendo como posso / jogando meu corpo no mundo / andando por todos os cantos / e pela lei natural dos encontros / eu deixo e recebo um tanto"
Um dia me questionei o quanto era estranho esse ser
Que se comporta, por muito, de forma tão diferente
Mas depois de muito pensar
Avaliei que não há o que pensar
O que em verdade há
É a admiração que a ela devo dispensar
Sem medições muito menos interrupções
Apenas admirar
E aquele que conseguir captar seu mais profundo olhar
Serás um felizardo
Pois dele saltará toda a vontade de vida e fome de gozo
E penso que comando minha vida... Que ingênuo
Faz caras e bocas para me manipular
Faz-me flectir
E caio como cobaia induzido ao erro
Porém o que seria um erro
Acaba por se transformar no mais certo dos acertos
Pois contigo vivo os mais deliciosos dos momentos
E aquele olhar carente...
Não resisto
Como consegue ser tão perfeita?
Às vezes chego a pensar que és uma flor ambulante
Pelo aroma que exala quando passa
Pela beleza que me paralisa quando a vejo
Pela doçura que produz com seu néctar
E massiês aveludada de sua epiderme
Todavia quando a vejo lutar
Acredito ser a mais forte das ondas marítimas
Que arrasta tudo e todos que seu caminho atravessa
Mas, ainda sim, como um sopro de primavera
O que eu desejo...?
Dormir com a flor
E acordar com o sopro de primavera.
TAIRONE RODRIGUES PAIVA
09/03/2007
Hoje uma dessas pessoas queridas esteve por aqui neste humilde e anárquico espaço esquecido nos confins da web e compartilhou comigo das emoções contidas por aqui. Me mostrou uma de suas poesias, após ler o primeiro texto que postei aqui, onde ele homenageia as mulheres. Retribuindo a homenagem, estou postando aqui sua poesia. Aproveito para agradecer a todas as pessoas lindas que já cruzaram meu caminho por me doarem um pouquinho de sua energia e receberem um pouquinho da minha. Para mim, a vida é feita disso. Como cantaram os Novos Baianos:
"Vou mostrando como sou / e vou sendo como posso / jogando meu corpo no mundo / andando por todos os cantos / e pela lei natural dos encontros / eu deixo e recebo um tanto"
Um dia me questionei o quanto era estranho esse ser
Que se comporta, por muito, de forma tão diferente
Mas depois de muito pensar
Avaliei que não há o que pensar
O que em verdade há
É a admiração que a ela devo dispensar
Sem medições muito menos interrupções
Apenas admirar
E aquele que conseguir captar seu mais profundo olhar
Serás um felizardo
Pois dele saltará toda a vontade de vida e fome de gozo
E penso que comando minha vida... Que ingênuo
Faz caras e bocas para me manipular
Faz-me flectir
E caio como cobaia induzido ao erro
Porém o que seria um erro
Acaba por se transformar no mais certo dos acertos
Pois contigo vivo os mais deliciosos dos momentos
E aquele olhar carente...
Não resisto
Como consegue ser tão perfeita?
Às vezes chego a pensar que és uma flor ambulante
Pelo aroma que exala quando passa
Pela beleza que me paralisa quando a vejo
Pela doçura que produz com seu néctar
E massiês aveludada de sua epiderme
Todavia quando a vejo lutar
Acredito ser a mais forte das ondas marítimas
Que arrasta tudo e todos que seu caminho atravessa
Mas, ainda sim, como um sopro de primavera
O que eu desejo...?
Dormir com a flor
E acordar com o sopro de primavera.
TAIRONE RODRIGUES PAIVA
09/03/2007
domingo, 28 de junho de 2009
Michael Jackson - Choros e velas sem o menor pudor

Declaro que este humilde e anárquico espaço esquecido nos confins da Web se encontra em estado de luto por tempo indeterminado, pela morte de Michael Jackson.
Quem nunca tentou o Moonwalker que atire a primeira pedra! É isso aí, eu também compartilho da comoção mundial e não vou me estender. Apenas quero pontuar algumas coisas aqui:
-Eu sempre acreditei que Michael era inocente perante todas as acusações ridículas de pedofilia, e ainda que alguma das acusações fosse verdade, seria tudo culpa do pai dele.
-Eu sempre achei uma crueldade muito grande o que a imprensa fez com ele, o acusando de renegar sua negritude, quando o cara era doente e ainda era um dos artistas que mais contribuiram para o crescimento da black music.
-Alguém com a história de vida dele não poderia mesmo ser bem resolvido emocionalmente. Não estou afirmando que ele não era. Alguém que compõe "Heal the Word" certamente está em uma conexão com a vida bem mais intensa que o restante do mundo.
-Acho absurdamente medíocre um mundo onde gênios como Michael Jackson são atacados, acusados de loucos, ridicularizados. Onde todos querem arrancar um pedacinho dele, todos querem levar alguma vantagem à sua custa. Um mundo assim não merece os gênios e heróis que tem.
-Alguns dizem que é hipocrisia chorar sua morte, pois o Michael que choramos é o de décadas atrás e não a figura patética que ele se tornou. Eu digo que sonhos não envelhecem. E me dou o direito de chorar por um ícone da minha geração, que deve e merece ser respeitado e homenageado enquanto houver música e coração nesse mundo. Aliás, se ele não tivesse tamanha sensibilidade, não teria se transformado nessa "figura patética" para a qual todos nós o empurramos.
-Nunca mais vou ouvir "Ben" na minha vida. Se eu já me acabava de chorar antes, agora é auto tortura.
-Sim, eu estou tomada pela emoção e não me envergonho disso. Pobre do ser humano que não se permite emocionar.
Esta é minha pequena homenagem a esse artista, cuja existência povoa o mundo que conheço desde que nasci. Onde sua memória estiver presente, "i'll be there".
Sem mais.
Assinar:
Postagens (Atom)



