terça-feira, 29 de junho de 2010

Punheta Acadêmica

Tem um tempo que estou querendo escrever algo aqui sobre esse assunto, mas confesso que me dá preguicinha. É muito pedantismo...


Mas vamos lá. Meio do ano é tempo agitado para a vida universitária. Ou não... É época em que tem gente ingressando na universidade, gente se formando, gente viajando para os encontros nacionais... e também tem gente que só espera as férias começarem e acabarem, porque não possuem vida acadêmica para além da sala de aula. Por isso resolvi compartilhar um pouco da minha singela reflexão a respeito.

Quando você entra na universidade, acha que aquilo vai mudar sua vida. Às vezes até muda muita coisa. Nos dois ou três primeiros anos, você super valoriza o saber acadêmico, científico. Teoriza tudo, trava batalhas políticas como se fossem causas universais, ou então está ali só pra tirar a camisa nas chopadas mesmo, sem absorver nada de construtivo porque você acha que não vai precisar dialogar com o mundinho tecnocrata que você escolheu para atuar (afinal daqui a quatro anos você vai estar longe de tudo isso, trabalhando duro na empresa do papai). Você vai para os encontros de estudantes como quem vai para uma micareta, com aquela obrigação carnavalesca de se embebedar alegremente e de se envolver sexualmente com o máximo possível de pessoas que você mal conhece. Se você não segue religiosamente essa proposta, vão te desmoralizar.

Você também pode incorporar outros personagens: você pode ser o carinha pseudo várias coisas que é um vaidoso arrogante, mas come geral com aquele papinho gasto de que é pequeno burguês ser monogâmico, embora a namorada dele não esteja muito bem esclarecida sobre o assunto. Quem gosta muito dele é a feministazinha de classe média, que paga a cerveja do boteco com o cartão do papai. Ela se veste de hippie de shopping e vomita frases feitas que leu em algum livro que alguém falou que ela tinha que ler. Tem o novo sambista (afinal agora não é mais preciso se misturar para ser sambista, basta ir ao show do Casuarina na Fundição Progresso). Tem o maconheiro que não sobe o morro porque a realidade (que ele ajuda a sustentar) é muito cruel, melhor é mandar alguém buscar pra ele o suficiente pro fim de semana na Ilha do Mel com a namorada racista dele (aquela que foi duramente injustiçada pelo sistema de cotas, coitada. E o mérito, como é que fica?). Tem aquele que não percebeu que 1917 já passou e que é hora de se reinventar para revolucionar, porque o capitalismo se reinventa a cada minuto. Tem aquele que acredita que vai fazer a revolução armada, mas antes vai pregar marxismo-leninismo para o povo na CDD (ou machismo-lemismo, como diria a mãe do Zé Pequeno no livro), pois o pobre do povo precisa conhecer a verdade. Amém, igreja?

O corpo docente também não fica atrás. Se você encontrar cinco em toda a sua tragetória acadêmica que não estão ali pelo ego, é muito. A universidade é uma fogueira de vaidades. Há muitos programas de pesquisa que podem tratar dos mais diversos assuntos, mas isso depende de em quanto a CAPES está disposta a conceituar, o que pode significar uma boa valorizada no currículo Lattes do caboclo. Aliás, tá aí duas coisas com que você precisa aprender a lidar no meio intelectualóide, Lattes e CR, porque tudo vai girar em torno disso. Mas há sempre a alternativa de “largar o foda-se”.

E então você finalmente se forma e provavelmente vai continuar acreditando que inteligência tem a ver com saber acadêmico, “e você ainda acredita que um doutor, padre ou policial que está contribuindo com a sua parte para o nosso belo quadro social”, como Raul já dizia. Ou pode acontecer de você se formar e perceber que há muita vida e sabedoria lá fora e você sempre soube disso; que metade das amizades que você fez na universidade, eram amizades de ocasião; que 90% das brigas que você travou não são tão importantes agora; que 90% das ilusões que você tinha quando ingressou, foram duramente derrubadas e que você virou um intectualóide que fala muito mas não diz nada. Aí você faz um mestrado, um doutorado, você vai escrever sobre coisas que você desconhece, mas leu em algum lugar, e todos vão achar que você tem muito valor por isso.

Mas no fim das contas, vale a pena. “O doce não é doce sem o amargo” (Vanilla Sky). Apesar dos pesares, você faz verdadeiros amigos, amplia seus conhecimentos, ganha um canudo pra mostrar pra sua mãe, viaja... e depois você, que é aquele que se acha muito diferente dos anteriores, pode escrever um texto besta no seu blog besta (porque afinal você é underground), só que sem esquecer de colocar a referência nas suas citações.

Mas enquanto isso, larga um pouco do pé do Marx e olha em volta. Vem pra rua aprender o que nenhuma universidade no mundo vai te ensinar. Vem pra vida. “Caia na estrada e perigas ver” (Novos Baianos), porque o mundo acadêmico é pura punhetagem intelectual.



Referências Bibliográficas:

Gaspari, Mary. Punheta Acadêmica. Blogspot. Rio de Janeiro, 2010.

domingo, 9 de maio de 2010

Metendo a colher na vida alheia

Há muito tempo que venho percebendo que as pessoas não conhecem o limítrofe entre o que é pessoal e o que é social, o que é privado e o que é coletivo. Existe uma inversão de valores que pelo menos a mim, sempre incomodou muito.


Dia desses, durante a festa de casamento de um grande amigo meu, um dos convidados simplesmente agrediu a namorada grávida. Eu defendi a garota e me prontifiquei a testemunhar contra o agressor, disse que faria questão. Algumas pessoas me criticaram e disseram que eu não deveria me meter na vida deles, que isso era briga de casal. Algumas pessoas me disseram que não deveríamos levar o caso à polícia porque ele era nosso amigo. Me revoltei, é claro! Não tem essa! Violência não é problema pessoal de ninguém, é um problema social e deve ser combatido como tal. O agressor alegou que ninguém tinha o direito de se envolver na vida dele. Eu pensei: “engraçado... ninguém deve se envolver na vida dele, mas ele pode envolver todos nós na covardia dele, ele pode estragar o casamento do amigo, ele pode desrespeitar o dono da casa... o direito à privacidade só vale para encobrir o ato dele, mas não vale para proteger as outras pessoas, principalmente a namorada agredida, dos impulsos violentos do sujeito.” Eu acho inaceitável que esse pensamento de “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher” ainda habite a cabeça das pessoas.

Outro dia fui mostrar à minha mãe que os novos inquilinos que criam passarinhos na gaiola (o que já vem me incomodando desde que eles chegaram), cobriram uma das gaiolas e o pobre do passarinho ficava parado na única brecha descoberta da gaiola. Ele estava claramente sofrendo, mais ainda do que já sofre normalmente por viver trancafiado numa gaiola. Eu pedi a minha mãe que falasse com a vizinha, já que minha mãe tem mais contato com ela, que o passarinho estava sofrendo e que talvez fosse melhor descobrir a gaiola ou mudar o bichinho de lugar. Isso porque não posso denunciar ao Ibama, porque os vizinhos já mostraram a licença. Minha mãe mandou eu não me meter na vida dos outros. Me revoltei, é claro! A única vida que estava em jogo ali era a do passarinho. Não tenho que me omitir diante de uma situação de injustiça ou opressão cometida pelo alheio, porque injustiça não é uma questão individual de ninguém, é problema meu, é problema nosso.

Outra coisa que me desperta a indignação é a falta de educação das pessoas em espaços públicos. Muita generosidade... compartilhar fumaça de cigarro, fumando no mesmo espaço (qualquer lugar que não seja a casa do fumante) que pessoas que não optaram pela vida tabagista e que deveriam ter assegurado seu direito de não ingerir nicotina. Se eu quiser fumar, eu compro um maço de Malboro e fumo. Não preciso pegar carona no câncer alheio. Acho que as campanhas antitabagistas deveriam abandonar o papo de que cigarro faz mal para o fumante, e se concentrarem somente nos não fumantes, que são os verdadeiros interessados. Além da nicotina, também há os generosos que compartilham vírus no ônibus, tossindo desprotegidamente na cara da gente; os que compartilham suas conversas de celular falando altíssimo em meio às outras pessoas; os que compartilham seus gostos musicais duvidosos em espaços coletivos, ao invés de usarem fone de ouvido; os que compartilham o lixo que seu consumismo inconsequente produz largando a sacola de mercado na praia; e por aí vai...

Definitivamente o povo brasileiro é muito generoso. Adora tornar público o que não interessa (vide revistas e programas de fofocas de “celebridades”) e se omite diante do que realmente é de interesse público. Não consigo entender essa nossa lógica: Se o cara agride a companheira = problema dele; se um cara é homossexual = problema nosso; se a pessoa não respeita a integridade física de um animal = problema dela; se a pessoa opta por fumar = problema nosso; se a pessoa é morta pela polícia = problema dela; se a garota vai para a faculdade de saia curta = problema nosso; se há crianças nas ruas viciadas em crack = problema delas; se a fulaninha de tal da novela se separou do fulaninho de tal da seleção = problema nosso.

Será que para que tomemos como problema nosso um caso de violência de gênero, a vítima tem que ser a Luana Piovani ou a Rihanna? Olhe em volta. Há muitas Marias, Cristinas e Anas precisando que você meta a colher, o garfo e a faca na vida delas. O que não falta no mundo, são situações de injustiça clamando para que metamos a colher nelas. Até quando vamos ignorá-las em pról do que não nos diz respeito?

sábado, 27 de março de 2010

Quem desinventou o amor? Me explica por favor. - A lenda da mágoa iminente

Ok, personas, este humilde e anárquico espaço esquecido nos confins da Web não é só dedo na ferida, aqui também há lugar para divagações mais... digamos... enfim... afetivas, se é que vocês me entendem. Tudo bem, tudo bem, é isso mesmo. Após três meses de silêncio, a primeira postagem de 2010 vem para, como diria o síndico Tim Maia, “falar de amor, somente de amor”.

Eu tenho uma indagação a fazer: quem foi a primeira pessoa, na história da humanidade, que magoou e desapontou alguém que a amava? Essa eu não sei responder, o que eu sei é que seja lá quem tenha sido, sua atitude reverbera até hoje e cada vez mais nas relações afetivas das pessoas.

Você ainda se lembra de como você era aberto, cativante, esperançoso e confiante no amor, quando você era adolescente? E o que aconteceu de lá pra cá? Aposto que tudo começou quando você se envolveu com uma pessoa pra quem você doou o melhor de si, e que acabou te magoando tão profundamente que você não quis dar outra chance ao azar e, ao se envolver com a pessoa seguinte, pagou na mesma moeda. Essa segunda pessoa, fez o mesmo com outra, que fez o mesmo com outra... que fez o mesmo com outras... que até fizeram o mesmo com você novamente... E enquanto isso, a lenda da mágoa iminente se espalha entre nós, como uma espécie de vírus incontrolável, passando por cima dos sentimentos de bons e maus, desinventando o amor.

De quantos possíveis bons amores você já abriu mão temendo a mágoa iminente? E quantos você já destruiu antes que a mágoa iminente o fizesse? Quantos relacionamentos alheios você já abalou ou fez desmoronar acreditando que se a mágoa iminente não poupa ninguém, não vai ser você quem vai poupar? Por quantas pessoas já chorou? Quantas já fez chorar? Quantas vezes se convenceu de que o amor está morto ou nunca existiu, e que se existe, não vai com a sua cara? E quantas vezes já voltou atrás? Quantas pessoas você já contaminou com o vírus da mágoa iminente? Toda vez que nos sentirmos decepcionados por alguém, ou que tivermos medo, ou que não conseguirmos sentir nada, devemos nos lembrar que todos nós temos dado nossa parcela de contribuição para que isso acontecesse, e que no meio da “sacanagem” de outra pessoa, existe uma pitadinha da nossa também.

A verdade é que todos nós queremos acreditar em algo, mesmo que esse impulso positivo esteja escondido, trancado num baú empoeirado, nos porões do nosso íntimo. Todos queremos sentir algo, mesmo quando desejamos sinceramente arrancar nosso coração do peito e jogar numa lixeira pra ele não causar problemas indesejáveis. Todos nós queremos poder um dia confiar a alguém que mereça, a nossa lealdade, com o mesmo desprendimento com o qual o fazíamos quando éramos inocentes. Mas por covardia ou auto proteção, nós evitamos, nos fechamos, desmoralizamos o amor e profanamos todas as suas vertentes. É verdade que ele não vive mesmo dando mole por aí, se oferecendo, mas é verdade também que sempre tem um momento em que ele te encurrala num canto, te chama pra conversar, e é nessa hora que, em grande parte das vezes, podemos ver pessoas que são perfeitamente certas umas para as outras, que se querem de verdade, que querem acreditar umas nas outras, recuarem. Elas provavelmente jamais saberão que o que elas queriam e sentiam e pensavam, era exatamente a mesma coisa, mas por não terem mais forças para acreditar, depois de tantas mágoas, tantas traições, tantas decepções, tanta frieza, elas nunca se deram a chance de viver e reinventar o amor, o seu próprio amor. É... porque o amor não é um bem de consumo com um manual, amar é justamente tudo o que não é o contrário disso, é a anti-corrupção humana. Por isso, não devemos nos ater a esses papos caretas de que homens são assim, mulheres são assado, monogamia não existe, lealdade é coisa de cachorro, etc... Todas essas máximas são subterfúgios que usamos para justificar nossa própria, desculpem, “falta de culhão” e falha de caráter pessoal.

Estamos indo por um caminho triste e obscuro, coberto por insegurança, mesquinharia, mediocriodade, rancor (admito minha enorme contribuição nesse quesito), mentiras e vinganças pessoais. Será que deixar de sentir é mesmo a melhor solução? Será que não existe a menor possibilidade de revermos tudo isso? Será que não podemos parar de julgar uns aos outros superficialmente? Será que sempre vão existir os “personagens clássicos” das relações como as conhecemos? Como a mulher boba, dependente, pegajosa e manipuladora que geralmente é identificada como namorada ou esposa; o homem mentiroso, frouxo, indelicado e infiel que geralmente é identificado como namorado ou marido; a mulher de personalidade forte, convicções próprias e espírito livre que é geralmente identificada como amante em potencial (alguém que você acha que vai aliviar o tédio da sua vidinha burocrática e sem paixão, sem cobrar nada em troca) e nunca namorada ou esposa; a mulher cínica, bem humorada, hora inteligente, hora comum ou vulgar, que geralmente é identificada como amante de fato; o homem sensível, confuso e amável que é geralmente identificado como corno. E por aí vai... Será que vamos continuar sempre encenando esses mesmos papéis, nos atribuindo funções sociais que não escolhemos? Precisamos mesmo continuar seguindo com a reprodução desse mais do mesmo? Vamos continuar nos relacionando mal e porcamente uns com ou outros simplesmente por medo da solidão, representando a idéia de amor como algo medíocre? Nenhum de vocês está no seu limite ainda, não? Porque se estiverem, vamos precisar de um esforço coletivo para poder nos convencer de que – recorrendo mais uma vez ao meu guru Belchior - “amar e mudar as coisas interessa mais.”

A única questão é: quem tem coragem de ser o primeiro a se habilitar?


(A imagem é do filme "Amores Possíveis" e o título é uma homenagem aos 50 anos do maior "ídolo" que já tive na vida, Renato Russo, o cara que compôs a trilha sonora da minha vida.)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Aaaah, o natal...

Então é natal... tranquem suas chaminés, recolham seus sapatinhos, o velho batuta tá na área.


Natal... o dia mais melancólico do ano. Dia em que os solitários se sentem mais solitários, os miseráveis se sentem mais miseráveis, os explorados se sentem mais explorados, e por aí vai.

Natal é tempo de renovação. Renovação da fome, da desigualdade, do capitalismo, do consumo alienado, da exploração do homem pelo homem, da indignidade humana...

O natal deveria existir para celebrar o amor de Deus revelado através de Jesus Cristo. Mas eu não vejo Deus em mesas fartas contrastando com panelas vazias, ou em luzes de natal contrastando com terras indígenas alagadas por alguma hidrelétrica, ou em um rebanho de consumidores vorazes entre jingles natalinos da Coca-Cola, da Leader Magazine e do mercado Guanabara. Jesus é usado como desculpa para Papai Noel (filha da puta!) invadir nossas chaminés inexistentes e levar nosso dinheiro e nossa dignidade dentro de seu saco sem fundos que ele esconde no porta-malas do seu trenó voador, puxado pelas renas sorridentes (nossa, mais alguém viu isso? Acho que botaram algo na minha bebida.). Além do mais, ninguém me convence que Jesus é capricorniano.

Estava vendo TV agora mesmo e me indignei com a covardia de uma cena: um homem vestido de Papai Noel distribuía presentes a crianças pobres e uma senhora humilde chorava dizendo que ele era uma bênção na vida dela porque ela não tinha dinheiro pra comprar um presente para o filho. Pensei: capitalismo selvagem tá aí. A pobre senhora, assim como a maior parte da civilização ocidental, é levada a crer que tem alguma obrigação comercial no natal, que seu amor pela sua família é medido por sua capacidade de presentiá-la, fazendo com que ela se sinta culpada e até envergonhada por não poder realizar esse ideal capitalista. Isso é muita covardia! Esse é o momento em que Jesus irado destrói o templo e diz que em sua casa não deve haver comércio.

Eu nunca acreditei no bom velhinho, graças a um ódio de infância que minha mãe nutre pelo velho porque uma vez quando era criança lá na roça, pediu o ano inteiro pra ganhar uma boneca, foi uma boa menina, e no final das contas ganhou um guarda-chuva. Enquanto isso uma filhinha de papai que tinha escrotizado o ano todo ganhou uma boneca. Minha mãe, com sangue nos olhos, pensou algo mais ou menos assim: “Papai Noel (filha da puta!) rejeita os miseráveis! Eu quero matá-lo! Aquele porco capitalista. Presenteia os ricos, cospe nos pobres!” Desde então ela vem disseminando a discórdia entre o bom velhinho e o mundo. 



Meus pais alugaram uma casa para uma empresa que trouxe um grupo de dez trabalhadores da construção civil que vieram do Maranhão em busca de trabalho. Tudo que eles possuem de seu são suas mochilas de roupas e seus colchonetes. Estavam tristes, longe de suas famílias que não vêem há meses, não podem enviar presentes aos seus filhos. Eles enfrentam essa realidade todos os dias, mas caso consigam suportar, existe o natal pra fazer a gente se lembrar o quão fudidos nós somos. Como se desse pra esquecer. Deve ser por isso que todo mundo enche a cara no natal (beber pra esquecer). Além é claro da quase imposição de se estar com o coração cheio de amor e felicidade (beber porque está alegre). É proibido ficar triste no natal. A tristeza é obrigada a entrar em recesso de Dezembro a Fevereiro. Mas foi bom tê-los por aqui neste natal, saí da rotina natalina de ficar na internet depois de comer panetone e fofocar com as vizinhas, e fui jogar “toco” com eles.. É uma espécie de sueca maranhense. Acho que conseguimos nos divertir. Mais um natal superado.


E o que dizer daquele que é o mais esperado do ano? O belíssimo, magnífico: espírito natalino! Bem, o famoso espírito natalino é um caboclo canastrão que teima em baixar em meio mundo no natal. Do alcoólatra que fica um dia sem bater na mulher ao mega empresário que destina 0,001 % da renda das vendas de sua comida gordurosa para as criancinhas com câncer, todo o mundo ocidental é acometido por essa entidade, que desaparece com a mesma rapidez com que surge.

Eu proponho o exorcismo do caboclo, bem como propus (sem sucesso) um apagão na noite de natal, para nos lembrar que vivemos uma crise energética e uma era de escassez de recursos naturais e que portanto é no mínimo irracional insistirmos em pisca-pisca e árvore de natal da Lagoa. Isso já era! Entramos num novo estágio! Já é hora de reinventarmos nossos hábitos.


E o pobre do chester? Quem foi o o nazista que inventou o chester? Já não chega toda a crueldade que a indústria da carne derrama sem dó sobre os animais? Ainda tem que inventar uma nova espécie pra isso? O chester é o cordeiro sacrificado dos dias de hoje. Na minha casa não entra chester. Minha mãe adotou a causa.



Mas a maior incógnita do natal talvez seja a rabanada (...). Eu não sei quem foi a pessoa super esperta que inventou um pão duro, cheio de açúcar, frito, que diz a lenda fica mais gostoso no dia seguinte, mas tenho certeza de que essa pessoa foi quem lançou a moda da pegadinha. Rabanada certamente é a piada mais bem sucedida da história. Todo mundo acreditou que era sério e continuam comendo essa porcaria até hoje.

Bem, eu como uma boa “mal amada” que sou, poderia ficar aqui horas jogando no ventilador toda a merda da maior festa cristã desse mundo Judas, mas natal é tempo de alegria. Então o que me resta é curtir um pouco do maior sucesso natalino de todos os tempos, “Papai Noel (filho da puta!) Velho Batuta, dos Garotos Podres, e ansiar por mais uma “noite feliz, noite feliz...”


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Do Direito à Poesia


Não sou poeta porque escrevo poesia. Sou poeta porque estou viva. Escrever poesia é um exercício de humanidade.


Deveria estar garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todo ser humano terá direito à poesia”.

Ser poeta é perceber as nuances de tudo que nos cerca, nos permitir tocar por todas as cores e sons, e energias que há nesse mundo, e reagir. A poesia é a verdadeira imortalidade da alma.

O ser humano é poeta em sua essência, nasce poeta. Mas logo aprende a tolher o seu espírito, a guarda-lo em um lugar onde ele não possa oferecer ameaça à ordem imposta.

Poesia é a resistência daquela parte interna do ser humano que não adormeceu, não foi hipnotizada. é aquela força interior que teima em gritar que está viva.

Me entristecem aqueles que não são poetas, pois eles não sabem que tem todo o direito de sê-lo. Não sabem que a poesia é uma necessidade vital. Por isso muitas vezes, estão mortos em vida.

Não escrevo poesia porque sou artista, ou porque sou romântica, ou quem sabe sonhadora. Sou é todas essas coisas, porque sou poeta. Porque sou humana, porque sou livre, e sobretudo porque estou viva. E quando não mais estiver, minha poesia viverá no peito de outros poetas, contando a eles que um dia eu também estive por aqui. E que amei, e chorei, e odiei, e ri, assim como eles.

A poesia se estende a todos. Não vê rosto, credo, cor ou nacionalidade. Ela vive dentro de cada um, em cada cantinho do mundo, tenha ela a forma que tiver, expresse o que expressar.

Viver seria bem menos assustador se todos descobrissem que são poetas por natureza.


Link para minha vida poetizada: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=32720

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

MARY RECOMIENDA: ASTROS

Personas, este humilde e anárquico espaço esquecido nos confins da Web tem mais uma boa pra indicar. Bem, não é segredo para ninguém que eu sou superhipermegaextrafãplus do Trem da Alegria e que vivo caçando seus ex-integrantes por aí e acompanhando o que eles andam fazendo. A propósito, eles vão muito bem. Patricia lança disco novo em Março, Luciano também está com disco novo, aliás os dois estão cantando melhor do que nunca, se é que é possível cantar ainda melhor. Mas hoje o assunto mesmo é o futuro presidente do Brasil, Juninho Bill. Gente, a banda nova dele é F#@*! Se chama "Astros" e Mary Recomienda um clip deles que está noYoutube, de uma música chamada "Avise Alguém".
Lá vai o link. E preparem-se para o Rock n' Roll, porque Juninho Bill tem de sobra na veia. Aliás, se alguém encontrar com ele por aí (o que é muito difícil de conseguir na Internet), peça-o em casamento por mim.

http://www.youtube.com/watch?v=H-gbcw10sNA

domingo, 11 de outubro de 2009

ANOS 90 - Se é pra reviver, que seja o GRUNGE.


Este humilde e anárquico espaço esquecido nos confins da Web vive nesse momento um drama muito profundo, relacionado ao futuro da vida cultural da humanidade.
Existe uma história de que toda década é revivida após vinte anos. Lembro que nos anos 80 a onda era reviver os 60, assim como a onda atualmente é reviver os 80. Isso me deixa tensa porque o próximo capítulo inevitavelmente deverá ser os anos 90. Aí já não sei se quero continuar com essa brincadeira. Não dá pra ficar com os 60, 70 e 80 pra sempre, não? O que vale a pena relembrar nos anos 90? Bem, uma coisa é certa. O que é muito ruim não costuma sobreviver ao tempo. Ufa!
Realmente não acredito que o Terra Samba tenha quorum nos dias de hoje. Também duvido que a bunda da Carla Perez volte a causar frisson, até porque hoje temos drogas bem mais pesadas como a Mulher Melancia (bota pesada nisso). E sinceramente, sem maldade no coração, se o Kiloucura se atrevesse a evoluir em uma de suas performances de programa de auditório hoje, ninguém seguraria a gargalhada. E os clips do Ace of Base (que eu até achava legal), onde eles se pretendiam moderninhos, hoje me soam como algo de 100 anos atrás. Prefiro rever o clip de “Crazy”, do Aerosmith, onde as belíssimas Liv Tyler (minha musa) e Alicia Silverstone são tudo o que uma garota poderia querer ser, ou reviver Briget Fonda e Mat Dillon em “Vida de Solteiro”. Nem mesmo as Spices Girls conseguem mais ser sensação por mais de 15 minutos (nem com Vitoria, que agora é Beckham). Aliás, essa onda de retorno de grupecos como Vitoria e sua curriola, New Kids on the Block e Backstreet Boys é uma forte evidência do que estamos prestes a enfrentar com a virada de década. Mas o fato é que vão-se os hímens, ficam os motéis (tudo bem, eu sei, essa foi podre). Eu quero dizer é que vai-se o Than, ficam o Pearl Jam, o Soundgarden, o Alice in Chains, o Stone Temple Pilots...
É verdade que um ou outro eram bem mais interessantes nos anos 90, como o Green Day (que agora é Emo) por exemplo, que sempre foi uma daquelas bandinhas adolescentes de Hardcore sem conteúdo, típicas dos 90, mas que todo mundo adorava porque mesmo sendo o que eram, conseguiam fazer discos imperdíveis como o “Dookie”. Ou os Raimundos que conseguiam ser bobos e geniais ao mesmo tempo, tirando o rock and Roll da caretice de não querer se misturar. Além é claro do Planet Hemp, que com maconha ou sem maconha tinha o único D2 que vale a pena.
Nem vou falar nada do Manguebeat, porque esse atravessou os anos e se tornou atemporal, e gerou muitos outros frutos na música brasileira (aliás, os anos 90 devem a alma a Recife). Salve Chico Science! Sendo assim, minha única esperança de retorno está no Grunge. Não só na música, mas na moda também. Vamos combinar que ninguém nos dias de hoje gostaria de voltar àquela estética cafona-periguete e careta dos 90. Confesso que a melhor coisa que usei naquela época foi calça rasgada, casaco xadrez e All Star vermelho. O Grunge sem dúvida salvou os anos 90 da mais completa desgraça numa proporção universal (um inferno Pop/Axé/Pagodinho fuleiro). Então vamos combinar uma coisa: se é pra reviver, que seja o Grunge, ok? Então vamos nos preparar para encarar essa juntos, e que Kurt Cobain nos ajude!